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                                   OUTONO DA VIDA

        Não te acomodes em frente ao computador, à  televisão ou simplesmente à leitura do jornal que te chega todos os dias. Aproveita para caminhar enquanto podes. Subir e descer escadas, correr, andar de bicicleta, passear de elevador, dar uma volta na praça ou à beira-mar. Dá uma olhadinha no pôr-do-sol, no crepúsculo, nas ondas gigantes que quebram na beira da praia, nas conchinhas, nas criancinhas e nos velhinhos que, também, seguem vivendo e te observando.

 

          Não  te  aprisiones dentro do próprio lar.  Por  mais que gostes de tudo o que tens, não te deixes prender por nada ou por ninguém. Começa, desde já, a te desprenderes dos teus bens e das pessoas que te são caras. Um dia terás que deixá-las para trás e elas terão que se acostumar com o teu afastamento.

 

            Não  te entregues à depressão, às lembranças do passado,  a juventude perdida ou ao tempo desperdiçado. Volta os teus olhos para o dia de hoje com tudo o que ele tem para te oferecer. Presta atenção ao sol que nasce ou a chuva que cai, ao calor que faz suar ou ao frio que faz a pele arrepiar, ao latido do cãozinho ou ao canto do passarinho, à música que toca na casa do vizinho, ao ônibus que passa transportando gente, às notícias da rádio e ao cheiro da comida que vem de longe para te entusiasmar.

 

       Não te consideres insignificante ou esquecido pelos amigos. Sempre haverá pessoas que partirão antes de ti. Assim como um dia partirás deixando outras com saudade.

 

       Não  te  sacrifiques  por compaixão  ou  pela  vaidade  que  te  faz supor insubstituível. As coisas continuarão existindo mesmo após uma inesperada perda.

 

        As  pessoas  que  julgas  frágeis  não  ficariam  tão   desamparadas  como imaginas se deixasses de ampará-las. Diante de uma pressão muito forte, a fragilidade cede lugar à resistência, despertando uma coragem sem igual.

 

       Não  jogues   fora  o   teu  precioso  tempo  cultivando  complexos   de inferioridade. Ninguém precisa ser bonito para ser feliz nem elegante para ter um bom emprego. Nem a juventude para ter um bom desempenho. Nem riqueza para ter verdadeiros amigos. Nem dinheiro para ter talento. Aproveita para te mostrares do jeito que és. Quanto mais espontâneo e sincero fores, mais chances terás de conquistar a simpatia dos demais.

 

          Não  fujas  do  amor.  Há  amores que surgem na mocidade. Outros na meia-idade. Outros, ainda, no começo do outono, quando parece que não tens mais atrativos físicos – quando as folhas estão caindo e os galhos secando. Quando já não olhas mais para ninguém porque os teus olhos nem brilham mais por coisa alguma. Nessa altura, tens, apenas, a ti mesmo – tua alma com todo o teu conteúdo de experiências, valores, amores, talentos, dons, senso de humor, sabedoria, paciência, calma, educação, caráter, princípios. Quando o deserto íntimo parece não ter mais nenhum oásis para oferecer a quem tem sede e te procura. Quando manténs os espinhos à mostra  na  expectativa  de  te   defender  dos ataques alheios. Quando desconfias da própria sombra, das palavras que, às vezes, te fogem quando precisas dizer algo importante e da memória que falha quando menos esperas. Quando a tua saúde fica comprometida, a imunidade baixa, as dores que surgem, repentinamente, a incapacidade física e os fortes abalos emocionais que te deixam abatido.

Quando estás vivendo em meio à frieza que enregela o coração, convivendo com pessoas que te decepcionam porque te ferem no ponto em que mais gostarias de ser poupado; pessoas que te evitam olhar nos olhos, que te consideram ultrapassado, que não te valorizam mais; que acham que o teu lugar é numa cadeira de balanços ou em frente à televisão.  Que pensam que não precisas de mais nada para viver e que tens obrigação de sustentá-las com a tua aposentadoria.

 

       Não aceites a companhia da solidão que te faz falar sozinho, resmungar baixinho, chorar quietinho e te condicionar a essa forma de viver.

 

             Não  uses  medicamento para dormir. As pessoas maduras não necessitam de tantas horas de sono porque já dormiram muito na vida. Agora, aproveita o tempo em que estiveres acordado para observar mais, aprender mais e a falar mais. Se em meio a tudo isso, receberes a visita do amor, não te esquives. Abra os braços para acolhê-lo. Abra os olhos para vivê-lo. Levanta e vai ao seu encontro. Ele é a bênção que esperavas há tanto tempo. E a oportunidade de ser feliz um tanto mais. É a chance de voltar a se sentir vivo e confiante. É a alegria que julgavas ter perdido. É a emoção que te fará renascer no paraíso. É a mola propulsora que te fará empreender novos e emocionantes voos na direção de uma realidade mais plena e feliz.

 

         Ele  te  fará  escalar altas  montanhas. Ele te curará de enfermidades que existiam somente no teu psicológico. Ele te colocará em pé para a vida.  Ele te fará atravessar horizontes desconhecidos e mágicos, repletos de luz. Ele dará sentido e valor a tua existência antes considerada pequena demais.

 

            Ele  te  transformará num grande homem, o homem mais completo e sábio, feliz e cheio de paz que somente um coração que vive em plenitude consegue conquistar.

 

           Ninguém  tem  o  direito de  te  reprimir  os  sentimentos.  Extravase-os a vontade.

 

               É  a  tua última  oportunidade  de  viver  a  vida  em  plenitude, de enfeitar o teu coração com as cores do divino, de abençoar os anos que tens pela frente e que poderão não ser tão poucos como imaginas. Deus te responde de várias maneiras. No entanto, o sinal mais perfeito de Se mostrar a ti é através do amor. Ama intensamente. Sem preconceito. Sem medo. Sem constrangimento. Sem pensar. O amor é emoção. Não caminha com a razão. Ele está acima de tudo. Portanto, mesmo que não o compreendas, segure-o firme. Ele é a bengala com que te apoiarás. Ele é a ponte que atravessarás para a outra margem em segurança. Ele é o apoio espiritual que manterá a tua dignidade em pé diante da vida. Ele é a luz que iluminará a tua trajetória rumo ao desconhecido. E ele é a tua recompensa  maior  por tudo que  suportaste até hoje em nome da tua própria evolução.

 

                                                   Elisabeth Souza Ferreira

                                  (Extraído do meu livro "Suspiros Poéticos")

 

 

                                          

                                               

 

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